Como funciona o sensor TPMS?

Resposta rápida

O sensor TPMS fica dentro da roda, mede a pressão e a temperatura do pneu e envia essas informações sem fio, por radiofrequência, para um módulo do carro. Se a pressão cair abaixo do limite, o carro acende a luz do TPMS no painel.

O que você precisa saber

  • O sensor mede a pressão e a temperatura e envia os dados sem fio para o carro.
  • Cada sensor tem um código próprio (ID). O carro só reconhece os sensores que conhece.
  • Para poupar bateria, o sensor transmite de tempos em tempos e “dorme” com o carro parado.
  • No TPMS indireto não há sensor na roda: o carro usa o ABS para perceber a perda de pressão.
Nesta página
  1. O caminho da informação
  2. O que tem dentro do sensor
  3. Quando o sensor envia os dados
  4. Como o carro sabe que o sinal é do seu pneu
  5. Como o carro sabe qual pneu está vazio
  6. E quando não há sensor na roda?

O sensor TPMS é um aparelho pequeno instalado dentro da roda — quase sempre preso à própria válvula por onde se calibra o pneu. Ele funciona sozinho, com bateria própria, durante anos.

Este guia explica o que acontece entre o pneu e a luz no painel. Vale para o TPMS direto, o tipo que usa sensores. O indireto, que funciona sem sensor na roda, aparece no fim.

O caminho da informação

  1. O sensor mede a pressão e a temperatura do ar dentro do pneu.
  2. O sensor envia esses dados sem fio, por ondas de rádio (radiofrequência, ou RF).
  3. O módulo do carro recebe, confere se o sinal é de um dos seus sensores e compara a pressão com os limites definidos pelo fabricante.
  4. O painel avisa: se a pressão estiver baixa, a luz do TPMS acende. Alguns carros também mostram a pressão de cada pneu9.
Esquema de um TPMS direto Vista superior de um veículo com um sensor em cada roda. Os sensores enviam pressão, temperatura e identificação por radiofrequência a um receptor, que compara os valores com os limites e aciona o alerta no painel. RECEPTOR / ECU LUZ NO PAINEL SENSOR NA RODA mede pressão e temperatura ENVIO SEM FIO por rádio: 315 MHz ou 433,92 MHz MÓDULO DO CARRO compara com os limites e acende o alerta VISTA SUPERIOR · FRENTE PARA CIMA
Esquema simplificado de um TPMS direto, visto de cima. Cada roda tem um sensor; o carro recebe os dados e decide quando acender a luz.

O que tem dentro do sensor

Por dentro, o sensor reúne:

  • um medidor de pressão e um termômetro;
  • um detector de movimento, que percebe se a roda está girando;
  • um pequeno processador, que decide quando medir e quando transmitir;
  • um transmissor de rádio, que envia os dados ao carro;
  • um receptor de baixa frequência, usado por ferramentas de oficina para “acordar” o sensor, ler seus dados ou programá-lo;
  • uma bateria de lítio, que não pode ser trocada.

Fabricantes de componentes eletrônicos integram quase tudo isso em um único chip1,3,5.

Os blocos do sensor, segundo as folhas de dados
BlocoFunçãoExemplo na documentação
Sensor de pressãoMede a pressão do ar dentro do pneuSensor de pressão MEMS integrado1
Sensor de temperaturaMede a temperatura internaFaixa de –40 °C a 125 °C1
AcelerômetroDetecta se a roda está girando; em alguns componentes, também a posição angularAcelerômetro de eixo Z para detecção de movimento1; acelerômetro de um ou dois eixos (X, Z ou XZ)5
MicrocontroladorExecuta o firmware: quando medir, quando transmitir, o que enviarNúcleos de 8, 16 ou 32 bits, conforme o componente1,3,5
Transmissor de rádio (RF)Envia os dados ao receptor do veículo315 MHz ou 433,92 MHz, com modulação FSK ou ASK1,2
Receptor de baixa frequência (LF)Permite que uma ferramenta ou o veículo acione o sensorReceptor de 125 kHz2,3
BateriaAlimenta o conjunto durante a vida útil do sensorProjeto para 10 anos com bateria CR20322

O projeto de referência de um desses componentes inclui ainda a antena de rádio, a bobina do receptor de baixa frequência e os contatos para uma bateria de 3 V4.

Quando o sensor envia os dados

Transmitir gasta bateria. Por isso o sensor não fica falando o tempo todo:

  • com o carro andando, ele envia os dados de tempos em tempos — em média, a cada 30 segundos a 2 minutos7;
  • se o pneu perde ar rápido, ele passa a transmitir muito mais vezes6,7;
  • com o carro parado, ele entra em repouso6.
Um exemplo real de intervalos

Um documento técnico da Porsche, arquivado pela NHTSA, descreve uma geração de sensores que mede a pressão a cada 3 segundos e transmite a cada 54 segundos com o veículo em movimento. Se a perda passa de 0,2 bar por minuto, o sensor transmite a cada 0,8 segundo. Depois que o carro é estacionado, entra em modo de repouso6.

Os números variam de um projeto para outro. A imprensa técnica do setor cita uma média de uma transmissão a cada 30 a 120 segundos em rodagem7, e a Autel descreve para seus sensores os modos de condução (a cada 30 a 90 segundos), alerta, repouso e transporte13.

Como o carro sabe que o sinal é do seu pneu

Cada sensor tem um código de identificação único, o ID. Ele vai em todas as mensagens, junto com a pressão, a temperatura e o estado da bateria6. O módulo do carro guarda os IDs dos seus quatro sensores — ou cinco, quando o estepe também é monitorado — e ignora os demais8. É assim que o seu carro não confunde o sinal com o do carro ao lado.

Por isso, quando um sensor é trocado, o carro precisa “conhecer” o novo ID. Esse procedimento se chama relearn. Veja Sensor TPMS precisa ser programado?

Como o carro sabe qual pneu está vazio

Nem todo carro sabe. Alguns sistemas descobrem sozinhos a posição de cada sensor — o manual do Honda Pilot 2025 descreve um sistema que confere a posição de cada pneu toda vez que o carro é ligado9. Em outros, a posição é gravada durante o relearn; nesses casos, depois de um rodízio de pneus, o procedimento precisa ser refeito14.

E quando não há sensor na roda?

É o caso do TPMS indireto. Ele não tem sensor, bateria nem transmissão de rádio. Um programa instalado no módulo do ABS ou do controle de estabilidade analisa a velocidade de cada roda e percebe quando um pneu está diferente dos outros10. A contrapartida é que ele não mede a pressão exata12. Veja TPMS direto e indireto.

A regra que define o momento do alerta

Os limites de alerta são definidos pelo fabricante do veículo dentro do que a regulamentação exige. Nos EUA, por exemplo, a luz precisa acender em até 20 minutos de rodagem depois que a pressão cai 25% abaixo da recomendada11.

Leia também

Fontes e referências (14)

Os números no texto remetem a esta lista. Endereços consultados em 21 de setembro de 2026. Veja como escolhemos as fontes na Metodologia.

  1. SP490-01-11 — Datasheet (sensor TPMS integrado)Infineon Technologies · Fabricante de semicondutores
  2. XENSIV SP40+ — Product briefInfineon Technologies · Fabricante de semicondutores
  3. FXTH87 — Tire Pressure Monitor SensorNXP Semiconductors · Fabricante de semicondutores
  4. FXTH87 Family — Evaluation Design Reference ManualNXP Semiconductors · Fabricante de semicondutores
  5. MLX91804 — TPMS SolutionMelexis · Fabricante de semicondutores
  6. Tire Pressure Monitoring Systems Operation (documento técnico)Porsche Cars North America — arquivo público da NHTSA · Montadora
  7. TPMS Radio Frequency Theory and OperationTire Review · Imprensa técnica
  8. Training FAQSchrader TPMS Solutions · Fabricante de TPMS
  9. Tire Pressure Monitoring System (TPMS) with Tire Fill Assist — Pilot 2025, manual do proprietárioHonda · Montadora
  10. Tire Pressure Indicator (TPI)NIRA Dynamics · Fabricante de TPMS
  11. 49 CFR 571.138 — Standard No. 138; Tire pressure monitoring systemseCFR — Governo dos EUA · Norma ou legislação
  12. Tire pressure sensors (TPMS)Infineon Technologies · Fabricante de semicondutores
  13. TPMS Sensor Replacement Fixes: Battery Life, Modes, ProgrammingTire Review (conteúdo da Autel) · Imprensa técnica
  14. Programming vs. RelearningSchrader TPMS Solutions · Fabricante de TPMS

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